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Logo Psicologia e Sociedade — Wagner Paulo da Silva
Psicólogo clínico sentado em poltrona, com prancheta e caneta, conversando em sessão de psicoterapia
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O TRABALHO PSICOLÓGICO NA PSICOLOGIA CLÍNICA: SERIA ESTE UM ATO DE AJUDA?

Por Wagner Paulo da Silva, psicólogo clínico (CRP 06/110334)

Não é difícil pensarmos na importância de ajudar e ser ajudado. Ouvimos com frequência frases como: “Vai uma ajudinha aí, amigo?”, “Você me estendeu a mão” ou “Toda ajuda é bem-vinda”. Esse gesto está presente na amizade, na família e nas redes de apoio. Ele vem amparado no afeto, na solidariedade e no acolhimento comunitário e, nos momentos em que podemos contar com ele, é fundamental para a saúde mental e para seguirmos em frente.

No entanto, cabe observarmos que a ação de ajudar guarda uma assimetria: de um lado, quem ajuda se vê em condições de fazê-lo; de outro, quem precisa demonstra vulnerabilidade emocional ou alguma carência momentânea. Isso revela uma relação de hierarquia. Por isso, nem toda ajuda parte da benevolência pura ou do altruísmo desinteressado. Nem sempre ajudamos enxergando quem é a pessoa, qual a real necessidade ou quais são os nossos próprios limites para agir. Da mesma forma, nem toda ajuda é bem-vinda ou recebida com gratidão: muitas vezes, aceitá-la pode fazer com que o outro se sinta ferido ou desrespeitado. Nos cabe ainda, a responsabilidade de mencionarmos os múltiplos prejuízos causados quando essa mesma ajuda aparece institucionalizada com uma roupagem assistencialista, mascarando importantes problemas sociais estruturais como a desigualdade social.

É por esse caminho que compreendemos como o fazer psicológico (psicoterapia) se distancia do ato de "ajudar". Sem deixar de acolher, respeitar e humanizar, a psicologia é uma prática eticamente comprometida com a liberdade e a autonomia, princípios do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Ela não parte de um lugar superior, de alguém que detém o saber e direciona o caminho do outro. A atuação do psicólogo clínico deve reconhecer a pessoa que busca atendimento psicológico, inclusive psicoterapia online, não como alguém inferior ou incapacitado, mas como uma existência capaz de vivenciar plenitudes com limitações inerentes à condição humana que precisa ser escutada, respeitada e considerada para encarar as complexidades de seu momento, não perdendo de seu horizonte que esta pessoa sempre estará inserida em um complexo contexto social e de coletividade.